Os Verbos dos Arguinas são um dialeto próprio usado antigamente pelos pedreiros (arguinas) de Oliveira do Hospital para comunicar secretamente, tornou-se finalista na categoria “Rituais e Costumes” das 7 Maravilhas da Cultura Popular
Esta gíria, com raízes no granito, incluía influências de línguas estrangeiras e servia para comentar o trabalho ou o patrão sem serem compreendidos.
Mensagem da candidatura 7 Maravilhas
Estrangeiros em terras distantes onde chegavam, cultivaram no seu grémio de ofício ou corporação, uma identidade vincada.
Pedreiros e canteiros tornaram-se arguinas. Aprenderam e desenvolveram um modo de falar seu, uma gíria gremial, código secreto, longe do entendimento de estranhos, e de que só aos companheiros de ofício passavam testemunho: o Verbo dos Arguinas.
Pedreiros e canteiros, de mãos robustas e precisas, muito suor e alma grande, lavraram por séculos, a escopro e cinzel batidos pela maceta, a pedra dura de granito que havia de moldar a paisagem das terras da Beira e de outros lugares longínquos. Farfalhando nas arraias para esfagunhir as grumeias (trabalhando nas pedras para fazer as casas) tomaram mundo. Nómadas e solitários criaram um grupo aparte, que ao longo de séculos se quis distinto de outras profissões e levou longe a arte delicada do granito bem lavrado. Nogueira do Cravo, bem como Santa Ovaia, são entre nós consideradas as aldeias berço da grande tradição de trabalhar a pedra, sendo Santa Ovaia especialmente famosa pelos seus canteiros, os oficiantes da arte de rendilhar a pedra, distinto do cabouqueiro que na pedreira a extraía e cortava.
Conhecidos e famosos os canteiros eram chamados um pouco a todo o lado, aqui por perto, da Guarda a Castelo Branco, ou pela Galiza onde foi conhecido o seu labor e fama. Perde-se na memória dos tempos a origem da especial vocação das gentes destes lugares para o trabalho elaborado do granito. Mas mais distante fica da memória a origem do conhecimento e uso do «latim» ou verbo dos canteiros. Sendo hoje uma profissão quase extinta, com a arte da cantaria cinzelada desaparece também a arte do falar secreto. Poucos são hoje os canteiros de cinzel e menos os fanfadores do verbo (que falam, que ensinam). Dos antigos e originais herdeiros da arte restam entre nós meia dúzia de homens na casa dos oitenta.
Desse património humano e linguístico, das suas vivências e tradições fica, para memória das gerações futuras do concelho, um pequeno mas elucidativo «despretensioso apontamento…originariamente publicado no Diário de Coimbra em 31-11-1958», da autoria do oliveirense Francisco Correia das Neves. Tem edição em livro, O Verbos dos Arguinas, que consultei para este trabalho, na 2ª edição de 1997.
Como nota final, aproveito para convidar à visita do monumento em honra ao Pedreiro, situado na rotunda à entrada da aldeia, via Senhor das Almas.



